• Grupo M.Ã.E

As fases do desenvolvimento infantil

As mães tem mania de comparar seus filhos com outras crianças, afim de verificar se eles estão se desenvolvendo de acordo com o esperado para a idade.

Para falar sobre isso, convidamos a Maria Cecilia Pedagoga, mãe empreendedora, Psicomotricista, Educadora parental e Mestre em Educação para falar sobre os sinais de alerta para os pais a respeito do desenvolvimento das crianças.

Porém, é importante ressaltar que apenas um desses sinais isolado não significa nenhum diagnóstico, mas alguns deles casados. Então, se você verificar algo que ache fora do esperado, procure por um especialista.


"Somos todos iguais. Somos todos diferentes. Somos todos capazes de aprender. Somos todos munidos do instinto de sentir, de se envolver, de aprender e se desenvolver. Essa é a essência humana.

Quando falamos em desenvolvimento infantil, logo me vem à mente as perguntas que me faço cotidianamente como mãe e que aposto que você também já fez: “será que o meu filho já devia...? Será que ele está atrasado? Será que está tudo bem?”

O ser humano se desenvolve de formas muito diferentes, a gente percebe isso em casa, não é mesmo? Então, como sabemos até onde é normal determinado comportamento ou quando devemos procurar um especialista?

A pergunta que devemos fazer é: “ meu filho ainda não consegue realizar determinada atividade, crianças dessa idade já conseguem?” Não devemos comparar nossos filhos no que diz respeito a personalidade e habilidade deles. Cada um tem suas preferências e sua maneira de lidar com o mundo a sua volta. Mas quando falamos em desenvolvimento infantil temos que estar atentos às fases do desenvolvimento infantil e aos chamados sinais de alerta. Muitas vezes observar os pares de mesma idade nos ajuda a perceber que algo pode não estar muito bem.

É importantíssimo que nós, mãe e pai, estejamos atentos. Quanto mais cedo a intervenção na criança, melhores os resultados – isso acontece devido a chamada plasticidade do sistema nervoso, o cérebro quando somos pequenos é mais maleável e suscetível a aprendizagem.

Algumas alterações, quando não tratadas de forma precoce, podem agravar ou favorecer o aparecimentos de questões secundárias. Um bebe com surdez, ou baixa audição, por exemplo, quando não tratado de forma precoce, pode originar um atraso grave na linguagem e compreensão. E então mesmo que mais à frente corrija-se a perda de audição, através de uma intervenção cirúrgica ou com o uso de aparelhos, o atraso na linguagem pode ser irreversível dependendo da idade da criança.

Um dos grandes marcos no desenvolvimento cognitivo é o aparecimento da linguagem e da fala como instrumento de comunicação. A fala surge entre o primeiro e o segundo ano de vida da criança. Espera-se que com dois anos ela já seja capaz de juntar duas palavras simples formando pequenas frases: “quero água.”, “não gosto.”, “minha bola.” Mesmo que as palavras ainda não sejam ditas da forma correta, mas já possam ser compreendidas.

Em geral, é nesse momento que os pais percebem que algo pode não estar indo muito bem, no desenvolvimento da criança. Nessa fase a criança já deveria estar utilizando a linguagem como instrumento de comunicação, não apenas como repetição.

Muitas vezes os pais conseguem perceber algo de diferente no desenvolvimento do filho, mas ao exporem suas questões à familiares e amigos, escutam exemplos afim de tentarem normalizar uma situação que muitas vezes pode realmente significar um atraso no desenvolvimento da criança: “O primo do amigo do seu tio também não falava nada aos 2 anos... calma! Aos 3 anos ele um dia acordou falando tudo. Cada um tem seu tempo.” Nós não podemos usar a exceção como uma justificativa para não agirmos. Pode ser que essa criança usada no exemplo tenha tido um desenvolvimento apenas tardio, mas essa é daquelas raríssimas exceções. Não é nela que devemos nos basear.

Ouço muito de muitas famílias que acompanho, a mãe contar que desde muito cedo ela achava que tinha algo de diferente no desenvolvimento do seu filho, mas ao consultar médicos e familiares todos diziam: “ calma. Ele ainda tem 18 meses... já já dará o click.” Historicamente é comprovado que a mãe é a primeira a acender a chamada luz amarela e questionar o timing do desenvolvimento da criança. Então, o melhor que posso dizer é siga seu coração, seu instinto materno. Se você desconfia de algo, não espere. Não é preciso diagnóstico para intervenção. Se percebeu um atraso, intervenha. Estimule seu bebe e busque formas de ajudá-lo a alcançar seu potencial e avançar em seu desenvolvimento.

A intervenção precoce é nossa maior aliada.

Existem três pontos importantes no desenvolvimento infantil aos quais temos que observar: comunicação, comportamento e interação social.

Quais são esses chamados sinais de alerta e ao que eu devo ficar atenta?

  • A criança até os 18 meses já é deve ser capaz de falar 5 ou mais palavras. E faz uso da linguagem de forma comunicativa, não apenas por repetição.

  • A criança falava, contava até 3 e de repente desaprendeu o que sabia. Um conhecimento adquirido não pode ser desaprendido.

  • Contato visual: essa é a primeira forma de interação social, se desenvolve muito cedo, nos primeiros meses de vida do bebê.

  • Comportamentos repetitivos: movimentos circulares repetitivos com as mão ou pés.

  • Interesses restritos: a criança permanece vidrada em determinado objeto em detrimento de uma série de outras coisas em que espera-se que ela tenha interesse.

  • Falta de reciprocidade emocional – capacidade de sorrir de volta ao ver a mãe sorrindo para ele, ou ficar preocupado ou triste ao ver alguém triste.

  • Atenção compartilhada: habilidade de acompanhar o olhar dos pais. Quando o pai ou a mãe estão olhando para algo, a criança olha para os pais e olha para onde eles estão olhando. Ou quando é ela quem quer chamar atenção para algo, ela olha para os pais, olha o objeto e retorna o olhar aos pais – como se mostrasse com o olhar algo que achou interessante.

  • Não demonstrar emoção quando os pais voltam para casa depois de passar um dia inteiro longe.

Todos nós temos muitas expectativas para nossos filhos. Não é fácil pensar que algo pode não estar indo bem com eles, mas quanto mais cedo começarmos a intervenção, maior e mais bem sucedida será! Então, não tente encontrar justificativas. Não perde tempo, não.

Coração de mãe não se engana.

Quanto mais cedo trabalharmos os atrasos no desenvolvimento, melhor o prognóstico da criança. Melhor o avanço no desenvolvimento!"


MARIA CECÍLIA HELAL - @nos4umtime Pedagoga Psicomotricista Educadora parental Mestre em Educação