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Os Nômades Digitais e como eles ganham dinheiro de qualquer lugar do Brasil e do mundo

Quem acompanha o Grupo M.Ã.E conhece nossa crença de que o modelo de trabalho convencional tem se mostrado cada vez menos necessário e o quanto nós, enquanto profissionais, acreditamos na flexibilidade de formatos e na trabalhabilidade ( que é o contrario da empregabilidade, ou seja, não se trata de estar empregado, mas da capacidade de gerar receita).

Nesse post vamos falar de um modelo novo mas que já se mostra o “sonho de consumo profissional” de muitos jovens, profissionais com carreiras estabelecidas, que cansaram do modelo tradicional, e até mesmo de famílias inteiras como a história que vamos conhecer. Vamos falar sobre os NÔMADES DIGITAIS e contar a história de uma família que optou por mergulhar nesse estilo de vida e viver desse modelo de trabalho.

O trabalho remoto tem impactado diretamente a economia e o mercado de trabalho, isso abriu a porta para o nomadismo digital que é um estilo de vida e tem se mostrado como uma possibilidade profissional que até pouco tempo atrás era impossível pensar em viver. Muitos nômades digitais continuam trabalhando para empresas de forma remota, mas muitos decidem empreender.

Sorte a nossa que estamos vivendo em uma época propícia para sermos nômades digitais, basta ter um computador com acesso à Internet, saber organizar seu tempo de trabalho e ter disciplina, que ao estar conectado você pode fazer tudo o que faria dentro de um escritório, só que em qualquer lugar do mundo.

Por ser um formato de trabalho que ainda é muito novo, principalmente aqui no Brasil, ainda existe certo preconceito de que os nômades digitais não precisam, não querem ou não gostam de dinheiro, o que não é verdade, assim como no empreendedorismo tradicional você pode ganhar muito mais do que tendo carteira assinada.

Érika Baldiotti, é uma nômade digital e divide seu tempo sendo mãe de duas, Olivia e Diana, tendo 2 perfis de maternidade no Instagram, o @MuchMamae e o @MundoBLW, autora dos livros: Mundo BLW - Minha Experiência e Mundo BLW - Receitas e Dicas Descomplicadas; e criadora da Much Editora, uma editora que nasceu para publicar livros escritos por mulheres.


“Desde que Olivia nasceu, há 4 anos atrás, eu queria ganhar dinheiro trabalhando de casa, trabalhando pela internet, cuidando dela e ganhando dinheiro, naquela época não tinha a menor ideia do que fazer e de como fazer, mas eu sabia que era possível ganhar dinheiro com a internet.

Eu trabalhei por anos em multinacionais, com prazos, metas, horários e trabalhava tanto que no último trabalho fui afastada por 1 ano porque tive uma crise de convulsão por estresse, na queda fraturei o ombro e tive que operar. Nunca mais voltei para o mundo corporativo, eu estava disposta a conseguir dinheiro e ter paz ao mesmo tempo!”

Para Érika a ideia de morar fora surgiu quando estava grávida da filha mais nova a Diana, que hoje tem 15 meses, e, segunda ela, era só uma ideia porque, a não ser que você tenha dinheiro para tocar tudo de imediato, é preciso planejamento. A ideia inicial era ir para o Canadá, mas ao longo do planejamento as coisas foram mudando, o plano foi reavaliado e hoje Érika, o marido e as duas filhas passam uma temporada na Califórnia, EUA.

A família já tinha decidido sair de São Paulo e fizeram uma primeira experiência vivendo por um tempo em Florianópolis. Foi durante essa experiência que surgiu a ideia de criar a editora: “em uma conversa com meu marido na varanda de um apartamento alugado em Floripa, depois das meninas dormirem, falávamos sobre meu livro e as possibilidades de ir para grandes editoras. Depois de muita reflexão, pensei: "não quero ir para editora nenhuma, eu mesma vou abrir a minha". O plano de negócio foi surgindo conforme a ideia foi se concretizando, como eu já tinha toda logística montada por causa do meu livro, que era a parte mais difícil do negócio foi só ampliar o que eu fazia com meu livro, para os livros de outras autoras.”

No caso da Érika, o marido embarcou na ideia e também mudou radicalmente a rotina em prol dessa mudança familiar:

"Meu marido é advogado e advogou por mais de 13 anos. Ele sempre odiou, nunca foi feliz e isso me incomodava demais. Quando a editora surgiu eu não daria conta de tudo sozinha e decidimos que ele precisava pedir demissão e ficar com as meninas, para que eu pudesse tocar a editora. 

Durante quase 5 anos, se contarmos com a gravidez da Olivia, eu me dediquei integralmente a cuidar das meninas enquanto ele trabalhava. Há cerca de 2 anos já tentávamos fazer ele sair para trabalhar cada vez menos, tocando as coisas cada vez mais de casa. 

Ele estava cansado da profissão e eu cheia de vontade de trabalhar, de abrir a editora. Então trocamos as funções, e o combinado foi que ele ficaria mais com as meninas e eu me dedicaria mais aos negócios. Ele até poderia trabalhar a distância, já que hoje os processos são online, mas as meninas teriam os 2 trabalhando o dia todo e a gente não queria isso."


Depois da decisão tomada foi hora de planejar como ficaria a situação financeira da família de forma que a experiência fosse segura e pudesse trazer, de fato, todos os benefícios que eles esperavam ter:


"Nossa renda familiar diminuiu, se pensarmos que antes nós dois trabalhávamos, aí ficamos só com a renda dele enquanto eu cuidava das meninas, depois que ele deixou o emprego perdemos a renda dele e ficamos com a renda da venda do meu livro. Tivemos que ter muito planejamento como é preciso ter sempre, em tudo, ainda mais com filhos. A gente tinha uma reserva de um apartamento vendido que dava segurança para os nossos planos".

Quando perguntamos sobre os planos para o futuro e se eles pretendem continuar viajando e trabalhando à distância ela disse que ainda pretende voltar para o Brasil: "As meninas estão pequenas, ano que vem Olivia vai pra escola e eu queria que ela fosse alfabetizada em português, então teremos que voltar. Mas se Olivia fosse menor, eu iria rodar o mundo trabalhando por aí!!!!! Mas iremos viajar muito sim, dentro do Brasil também, mesmo Olivia indo para escola ela ainda é muito pequena, pode facilmente se ausentar por algumas semanas."


Um exemplo lindo de empreendedorismo feminino, materno e digital que ganhou o mundo. Hoje os negócios criados por Érika são a renda principal da sua família e propicia que eles possam viver experiências culturais, de turismo e aprendizados constantes com as filhas, enquanto ela não deixa de tocar seus negócios digitalmente.


"Não deixe ninguém dizer que você não pode, que não vai conseguir. Ninguém tem o direito de diminuir o sonho de ninguém, mas opção é sua: só sonhar ou sonhar e tentar. Você jamais saberá se vai conseguir, se tem potencial, se é capaz se não meter a cara e tentar.  Eu tive medo, medo de muita coisa. Mas esse medo me serviu como combustível para estar aqui! Hoje se eu contar meus planos e sonhos, as pessoas dão até risada. "Como assim você quer sair na capa da Forbes?", eu quero ué! 

Eu sei que é difícil. Eu sei que falta grana. Falta apoio. Falta, falta, falta. Mas enquanto não faltar coragem, enquanto não faltar a vontade, você está no caminho certo. 

Não desista, faça planos, refaça os planos. Mude de ideia, de caminho, de objetivo. O mundo é mundão e muita coisa que hoje na sua cidade, no seu estado ou até mesmo no seu país não é possível, em algum canto desse mundo é. Você só precisa achar aonde você gostaria de estar, quem você quer ser e o que você quer fazer, pense com carinho nas suas vontades, elas são suas, e ninguém tem o direito de dizer que você não deveria.

Vá contra o sistema. Vá contra o machismo. Vá contra o pessimismo. Ache sua rede de apoio, grude nela, literalmente se apoie nela. Juntas somos mais fortes." Érika Baldiotti


Carmem Madrilis Jornalista de formação, curiosa por essência e empreendedora por propósito Mãe do Luca e da Malu, co-idealizadora do @grupo.m.a.e